9 de setembro de 2009

Toda paixão,
Toda bela paixão
Nasce de um encantamento.
Nos torna possíveis
E viver não já é tão improvável,
Até parece belo,
Cômodo,
Até aparece não doer,
Mas dói.

Como um caminho diário
Olhando sempre para o outro lado do vidro,
Outro lado da linha.
Às vezes só existindo.

Seria tão belo,
Seria tão vida,
Mas não para estes olhos,
Não para esta pele

15 de agosto de 2009

Se estou sem esperanças
Ou se essas me falham,
É porque o brilho dos olhos teus
São por olhos que não são meus.
As trilhas dos teus passos
Meus pobres pés não poderão seguir.
Meus ouvidos não podem te ouvir.
E meu coração continuará batendo
Ora descompassado, ora deslumbrado,
Por fim ciente de que as tuas batidas são de outro compasso.

13 de agosto de 2009

Mundo,
Me leva
Nos teus
Passos tortos
Pelos sonhos
Dos vagabundos
Da noite perdida
Na tentativa
Desesperada
De fugir
Da morte
De cada dia.

E tentar evitar
Os lábios
Do desespero
E da insanidade.

Conseguir te buscar
Na imensidão do mar
E te amar
Além do que poderia sentir.

Te amar e sentir os teus lábios
Sentir o teu corpo.
E seguir
Em mim
Sem você
Com a certeza
Da morte de hoje,
Que ainda não me alcançou.

30 de junho de 2009

Nestes dias caminhando
Por belezas tão raras

Passeando por sentimentos
Tão belos e frágeis

Acreditando em mentiras
Mentindo para acreditar

E mesmo o sentimento quase puro me entorpece
E não penso, e não sou, e não faço

Quase alguma coisa
Quase algum sentimento
Quase alguma verdade

Quase um mundo dentro de mim
Que não nasceu
Quase uma vida se revelou
E esvaneceu
Quase me encontro
E estou perdido
Quase encontro os teus olhos
Mas preciso fugir

Fugir de todo o belo
Fugir de toda a vida
E não te encontrar

Por um momento
Quase completo
E quase amo
Quase

25 de maio de 2009

Com contribuições de Anna Raissa


O som de cordas
em batidas ritmadas
torna a carne fria dos dias
em águas ardentes
e não somos mais puro ferro
somos a fina camada de gelo
de um lago frio e esquecido
que aos poucos volta a vida
com o sol da primavera

23 de maio de 2009

de sonhos a cordas
de cordas a sons
de sons ao outro.

no outro o som
pulsando,
e em seu peito,
o cheiro e o som da vida.

adormeço
para ir aos sonhos.

13 de outubro de 2008

meus olhos
não encontraram
na lua
luz como a dos
teus olhos.

9 de setembro de 2008

A minha poesia é triste
Não encanta
Não sonha
Não é bela.

Minha poesia nem é poesia!

17 de agosto de 2008

o amor morreria,
dolorosamente.

se entregaria
não mais em alegria
mas em dor,
em olhos perdidos.

O amor morreria
antes que se findasse em mim.
morreria
anunciando a minha morte.
morreria
e,perdido no vazio da sua ausência,
me entrego.

25 de julho de 2008

Viver:
período de uma dolorosa adaptação
à outra.
Talvez quiséssemos mais,
talvez quiséssemos extrapolar,
talvez quiséssemos tocar o impossível,
o impalpável,
o que de tão real é invisível aos olhos,
de tão verdade incompreensível:
deus talvez,
amor,
a linha fina da sanidade.
Viver,
equilíbrio constante:
de um lado a loucura,
do outro o desconhecido.
Tocar nos dois.
Viver.
Reuni
protagonista e antagonista,
sim e não,
luz e trevas,
positivo e negativo.
Ser humano.
Ser louco.
Ser divino:
deus em potencial.
Demônio a cada dia.

16 de junho de 2008

corações perdidos
vagando no escuro
em labirintos perigosos

sonhos mortos
amores largados
dores dores dores

Que mundo este
só de dores repleto
sem motivos para o riso
sem motivos para a felicidade

por que as paixões não são eternas
os sonhos realizados

por que tanta dor
por que olhos tão carregados
por que corações tão endurecidos

O que quer de nós?
Que amor esperas de corações tão anestesiados?
Que amor?
Que tipo de sentimento vais desperta em corações tão machucados?

25 de maio de 2008

Numa noite

meus olhos
em outros olhos
pousaram
sem dor
sem medo
sem desespero.
estes olhos
de vida tão cheio
de brilho tão desejo
devolve
a estes olhos
a esperança.
Tudo é agora,
Como se somente o agora importasse,
Nada além do agora.

18 de maio de 2008

Comentários sobre o fogo

...fogo que arde
dentro de mim.

Chamas consumindo
a vida que principiou na luz,
da vida em doação,
em servidão,
vida até o fim ardente...

chora...
e as lágrimas queimam.
são elas o combustível,
as intermediárias da chama.

fogo de mim,
frio.

fogo belo
e terno no outro.

21 de abril de 2008

Longe (ou Anna)

Saudade doce:

De café,

De beijo,

De cheiro,

De toque.

Saudade pele:

Colo,

Seca,

Riso.

Do rosto,

Dos cabelos:

Que ficam

Que vão.


Saudade água

De puro sal.

25 de setembro de 2007

as vezes
solto em lembranças
boas
passageiras.

18 de setembro de 2007




entender o invisível
minha mente vagueia
o invisível é impossível para mim

no espelho
no reflexo visível
existe muito além
mas onde?
por que não vejo?
sinto no outro
sinto
e é por demais perigoso confiar nos sentidos.

30 de julho de 2007

minhas lágrimas
correm longe
banham um terra seca
dia após dia
árida
seca
morta

Poder

O Poder institucional.
Subvertido
Tomado por aqueles que O merecem.
Por aqueles que são donos de verdade.

No coração do Poder
Jovens brincam de Revolução,

No coração do Poder
Se ouve o cerrado,
Se ouve a voz do Poder verdadeiro.

Dúvidas ou desejos?

Talvez eu
só quisesse que um sonho se realizasse.
Talvez eu
quisesse está muito longe daqui.
Talvez eu
só quisesse ser eu para todo mundo.
Talvez eu
quisesse voltar no tempo.
Talvez eu
só quisesse que tudo isso passasse.
Talvez
sonho ao longe
Talvez
ser eu no tempo
Talvez
eu passasse.

11 de julho de 2007

amor
quando
dói
dói
no peito
bem aqui
aqui
no meio
do peito
ele
dói
amor

22 de junho de 2007

EU TE AMO

amor?
não existe!
em mim não existe.

amor?
não,
aqui não!

Talvez nas palavras distantes de jovens felizes e enloquecidos!

amor?
em mim?
olha
nos meus olhos!

É CARNE,
EU SEI!
MAS TEM AMOR AÍ.
NESSA CARNE,
DURA E ESTÉRIL TEM AMOR.

TEM AMOR LÁ?
LÁ NÃO.
LÁ SÓ TEM O DESEJO.

O DESEJO,
NECESSIDADE BÁSICA.

LÁ SÓ RESSOA NA CARNE
A PODRIDÃO DO HOMEM LIXO!

14 de maio de 2007

...os erros são todos meus
e os assumo

estes erros estão aí
olhem
cutuquem
já doeu e dói
nada muda isso

estou em chagas
não cheguem perto
meu peito é a maior delas
escorre dele um sangue negro
viscoso, purulento, mal cheiroso

não me ajudem
não me matem
não me transformem...

Se
assim
sou,
é
por
não
negar
a
minha
origem
entre
os
homens.

2 de maio de 2007

∞resta-nos um pouco de força
depois da longa tempestade
para que
possamos criar novamente a vida
trabalhar a terra
resta-nos um pouco de calor
após tanto frio
resta-nos ainda força
para sermos

para sermos
resta-nos ainda força
após tanto frio
resta-nos um pouco de calor
depois da longa tempestade
resta-nos um pouco de força

para sermos
resta-nos força
ainda e pouca
resta-nos um pouco de calor

para sermos
um pouco de calor∞

4 de abril de 2007

Numa Noite de Luar

Finalmente
Teus olhos
Em outros olhos
Pousaram.

E nestes desconhecidos olhos,
Este íntimo coração,
Em fim esquecido,
Só poderia
Uma última vez
Obscurece-se.

Meus olhos
Esquecidos
Vagam
Pela noite enluarada